A água do aquário pode estar cristalina e na mesma estar a matar os peixes. É esta a parte que apanha os iniciantes de surpresa. Aquilo que faz mal não se vê. Por isso, num aquário, os testes da água não são um luxo de quem leva o hobby a sério. São o instrumento que lhe diz o que está a acontecer antes de ver peixes doentes.
Vamos por partes, sem química a mais.
Os valores que tem de conhecer
Amónia (NH3/NH4)
É o inimigo número um. Vem dos resíduos dos peixes e da comida a decompor-se. É tóxica mesmo em quantidades pequenas. O valor certo é simples: zero. Qualquer leitura acima de zero num aquário com peixes é um alerta vermelho.
Nitritos (NO2)
São o segundo passo do ciclo do azoto. Também são tóxicos. Tal como a amónia, o valor certo é zero.
Nitratos (NO3)
São o produto final do ciclo e bastante menos perigosos. Não chegam a zero num aquário com peixes, e isso é normal. O objetivo é mantê-los baixos, em geral abaixo de 20 a 40 mg/L. Removem-se com as trocas parciais de água.
pH
Mede se a água é ácida ou alcalina, numa escala de 0 a 14. Sete é neutro. O valor ideal depende dos peixes que tem. Os ciclídeos do Malawi querem água alcalina (7,8 a 8,6). Muitos peixes amazónicos preferem água mais ácida. O importante não é tanto o número exato, é a estabilidade. Oscilações bruscas de pH stressam mais os peixes do que um valor um pouco fora do ideal.
Dureza geral (GH) e dureza carbonatada (KH)
O GH mede os minerais dissolvidos na água. O KH funciona como um amortecedor que impede o pH de oscilar. Um KH baixo deixa o pH instável, o que dá dores de cabeça. Para espécies que querem água dura, como os ciclídeos africanos, GH e KH altos são essenciais.
Temperatura
Não é exatamente um teste químico, mas conta. A maioria dos peixes tropicais quer entre 24 e 26 graus, estáveis.
Cloro
Vem da água da torneira e é letal. Trata-se sempre com anticloro antes de adicionar água ao aquário.
Tiras ou gotas?
As tiras de teste são rápidas e baratas, e servem para uma verificação geral. Mas são menos precisas e perdem fiabilidade com o tempo. Os kits em gotas demoram mais um minuto a usar, mas dão leituras muito mais fiáveis. Para a amónia e os nitritos, que são os valores críticos, recomendamos sempre as gotas.
Com que frequência testar
– Aquário a ciclar: teste a amónia e os nitritos de poucos em poucos dias para acompanhar o processo
– Aquário estável: uma vez por semana chega para a maioria
– Sempre que algo parece estranho: peixe a respirar depressa, parado no fundo, sem apetite. Antes de tratar à sorte, teste a água. Na esmagadora maioria dos casos o problema está aí.
O que fazer quando um valor está mau
– Amónia ou nitritos acima de zero: faça uma troca parcial de água imediatamente e reduza a alimentação. Se for um aquário novo, é sinal de que a ciclagem ainda não terminou.
– Nitratos altos: aumente a frequência das trocas de água e não sobrelote o aquário.
– pH instável: verifique o KH. Um KH baixo é quase sempre a causa.
Testar a água é o hábito que separa quem mantém peixes durante anos de quem desiste ao fim de um mês. Custa um minuto por semana e poupa-lhe peixes e dinheiro.
Se ainda está a montar o aquário, comece por aqui: [como montar um aquário de água doce] e [como ciclar o aquário].
> Precisa de um bom kit de testes? Temos os testes de água SERA e tudo o que precisa para manter os parâmetros certos. Veja o [SERA Aqua Test Box] ou fale connosco: [enviar mensagem no WhatsApp].

